De Frente com Camila x Joyce Matsushita!

Joyce é super conhecida no mundo Plus Size e sempre ajuda o mundo plus a evoluir com suas valiosas opiniões sobre modelos e divulgações, eu adoro suas postagens no face e sigo como fã suas opiniões.

Joyce Matsushita, 33 anos, jornalista, assessora de imprensa, organizadora e promotora de eventos, diretora-executiva da Making Off Comunicação Estratégica, primeira assessoria de imprensa do Brasil a ser especializada em plus size, e ex-empresária da modelo internacional Fluvia Lacerda por 7 anos.

Como entrou no mundo Plus Size?
Em 2008, depois de quase 10 anos atuando nas maiores assessorias de imprensa do País e atendendo a clientes renomados como o desenhista Maurício de Sousa e a Maurício de Sousa Produções, Bobs, Pizza Hit, Grupo Transamerica, Associação Brasileira de Música, Associação Paulista de Medicina, a Corel de software, entre outros, eu decidi abrir minha própria empresa com foco em saúde, beleza e bem-estar, uma área que eu dominava e que já era referência para os jornalistas.

Um dia, recebi uma ligação inesperada de uma mulher, Fluvia Lacerda, que se dizia modelo. E o assunto não me causaria estranheza se não fosse pelo fato dela ser uma modelo gordinha e que começava a despontar no mercado internacional. Enquanto conversava com ela, minha cabeça deu um nó. Como ela poderia ser modelo e gordinha? Sempre fomos ensinados “visualmente” e “socialmente” que os padrões de beleza estavam enraizados em corpos magérrimos e naquelas figuras esqueléticas em cima das passarelas. Aquele telefonema, de algum modo, quebrava todos os paradigmas que até então eu conhecia.

E foram meses de conversas. E quanto mais eu escutava, mais aquilo fazia o meu olho brilhar. E passei a pesquisar tudo sobre esse mercado no Brasil e no exterior. E durante 6 meses criei um planejamento meticuloso porque a linha entre o ridículo e o bonito era muito tênue. E para trazer esse assunto para o País, precisava de um cenário não tão desfavorável como era o mercado de roupa GG já tão estereotipado. Então, decidi trazer para o Brasil o termo “plus size”, que agregaria ao mercado GG auto-estima, beleza e valorização. Não foi fácil romper a barreira do preconceito que existia acerca do assunto, mas em menos de dois anos já tinha conseguido colocar a Fluvia em todos os principais meios de comunicação do País e o assunto se popularizou. A partir daí virei empresária da modelo e passamos a quebrar diversos outros paradigmas que existiam.

O que acha dos concursos plus size?
Hoje, vivemos uma enxurrada de concursos plus size de tudo quanto é gênero e tema. Acredito que isso ocorra devido a uma necessidade do próprio público, que visualiza nesses concursos uma plataforma para alavancar suas carreiras. A minha preocupação não é somente com a quantidade de faixas distribuídas, mas com a qualidade que os organizadores oferecem nesses eventos. Muitas pessoas estão tentando desenvolver um trabalho sério e de credibilidade, mas outros promovem um verdadeiro caos. O público desses eventos precisa começar a fazer essa separação do que é bom e ruim. Precisa começar a pesquisar sobre o histórico desses eventos e dos profissionais que estão organizando. Se os eventos ruins não tiverem público, deixarão de existir.

O que acha das modelos brasileiras plus size?
Há muitas modelos talentosas e com potencial aqui no Brasil. Profissionais do segmento e consumidoras querem ver agora essas modelos em editoriais e campanhas incríveis. Porém, para isso acontecer precisamos buscar a elevação da qualidade de todo mercado plus size de maneira geral. A verdade é que todo o circuito da moda plus merece investimento. Está na hora da moda começar a inspirar as pessoas. E as nossas modelos, cada vez mais profissionalizadas, estimularão as marcas que querem se diferenciar a investirem mais em produção de moda. E isso volta para a modelo em valorização e consequentemente elevação do cache de quem estiver preparada.

Qual o ícone plus size para você?
Admiro várias modelos plus size, não só pela beleza, mas pelo profissionalismo. Acredito que vai demorar muito para surgir uma modelo com tanta personalidade e ousadia quanto a Crystal Renn. Os editoriais plus size mais inovadores que vi, pode ter certeza que foram estrelados pela Crystal. Não podemos esquecer também da importância da Fluvia Lacerda para a construção do cenário nacional do plus size. Da nova geração, temos aí a Tara Lynn e a Denise Bidot, que já são divas. Gosto muito também da Rosie Mercado, apesar de achar que o manequim dela não é tão comercial. Outra que não podemos esquecer é a Clementine Desseaux, não tanto pela beleza, mas pela personalidade forte e marcante.

O que acha das marcas brasileiras plus size de roupas? E suas propagandas?
As marcas melhoraram bastante suas campanhas e catálogos ao longo desses 7 anos. Hoje, as que querem se diferenciar investem em modelos mais experientes, em melhores produções de roupas, cenários, profissionais, etc. Sou otimista e gosto de olhar para esse salto que já demos e nessa conscientização que muitas marcas já tiveram. Sem contar outras centenas de marcas que surgiram e que também estão fazendo um bom trabalho. Vale ressaltar aqui as marcas plus size evangélicas, que estão dando um show em design e produção de moda para catálogos.

O que uma menina acima no manequim 44 precisa possuir para virar uma modelo plus ao seu ver?Não existe uma fórmula secreta para ser modelo. Muitas meninas me mandam fotos e mais fotos no Facebook para avaliar se têm ou não perfil para serem modelos. O fato é que só um rostinho bonito e um corpo curvilíneo não é credencial para ser modelo. É preciso, antes de tudo, avaliar a questão da fotogenia. Já vi meninas com rostos maravilhosos que frente às câmeras não inspiram. Essa relação modelo X câmera é fundamental. Depois, assim como na moda convencional, as modelos plus size precisam ter boa altura, mínimo de 1.70 m, porque as roupas vestem melhor. Além disso, precisam investir em expressão corporal e facial porque cada campanha ou foto é como encarnar um personagem diferente. Fora tudo isso, ainda tem os cuidados diários com a beleza do corpo, cabelos, unhas, etc. A vida de uma modelo não é fácil e requer sacrifícios.

Acredita que esse meio possuem “grupos” fechados ou há espaço para novos rostos e corpos?
Eu e minha equipe acreditamos e estamos apostando na abertura do mercado para novas modelos. Queremos descobrir, profissionalizar e lançar novos nomes no mercado.

Qual o manequim mais procurado no Brasil e fora?
Estamos vivenciando um novo momento na moda plus size mundial, onde a top model mais famosa, Robyn Lawley, veste manequim 42. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma modelo com manequim 40 já pode ser considerada plus size. É algo assustador, mas uma tendência que muito em breve deve chegar ao Brasil. No exterior, os manequins mais procurados para campanhas e catálogos ficam entre 44 e 46. No Brasil, entre o 46 e 48. Acredito que seguindo essa nova tendência mundial, o mercado brasileiro passe a solicitar mais os manequins 44 e 46 para publicidade, editoriais de moda e comerciais de TV. Já nas passarelas, desfiles e catálogos, dependendo da marca, acredito na inclusão do 48.

Uma mensagem para modificar o mundo plus size?
Profissionalização. Sem isso, o mercado vai continuar crescendo de forma desordenada e sem a qualidade necessária. Eu e minha equipe estamos desenvolvendo vários projetos que visam à profissionalização do segmento plus size em todas as suas frentes. O primeiro, que deve ser lançado até o final deste ano, será focado na profissionalização de modelos e new faces. Esperamos, dessa forma, contribuir para o crescimento de um mercado mais competitivo e que priorize a qualidade. E que, sobretudo, também seja referência de moda.

 

Ameiii essa entrevista com Joyce e ela deu muitas dicas para quem tem ou pensa em ter uma carreira no meio Plus Size,

Beijos Plus

Camila Approbato

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