HOMENAGEM

Ontem foi o dia Internacional da Mulher…. Um dia que para mim tem um significado de luta e de luto.

Às vezes me pergunto se realmente devo parabenizar as mulheres de modo geral por causa deste dia, mas acredito que a maioria delas, não faz ideia de como muitas mulheres sofreram e lutaram desde o início de nossa civilização para conseguir mais espaço para todas nós.

Eu tive a oportunidade de conviver com uma mulher que fez TOTAL diferença na conquista dos diretos das mulheres. Ela foi a primeira mulher de uma família de imigrantes árabes a cursar faculdade de direito. Quando se casou, saiu da capital carioca e foi morar no interior paulista. Ao sentir e ver a situação conservadorista que as mulheres de sua nova cidade passavam, resolveu mudar esta situação. Ela “acendeu a luz onde havia escuridão”.

Com muita coragem e determinação ela fundou uma entidade que levava cursos de filosofia, sociologia, antropologia, comunicação, relações humanas e muita diversidade para uma cidade que antes mal aceitava que uma mulher estivesse na faculdade ou trabalhasse fora de casa.

Por isso ela sofreu muito preconceito sim, não só dos homens, mas de muitas mulheres que não entendiam o propósito da independência intelectual em relação ao domínio social.

Me lembro várias vezes que ela chegava triste em casa, as vezes querendo desistir de tudo devido a fortes repressões e preconceito em relação ao seu trabalho de levar a cultura para as mulheres. Mas ela nunca, nunca desistiu.

Sua entidade começou a crescer e chamar mais a atenção das mulheres desta cidade, muitos professores universitários de renome começaram a participar do corpo docente da instituição, trazendo ideias novas que na época chocava muitas pessoas. Mas isso fazia com que as mulheres enxergassem o quanto elas eram oprimidas e reprimidas em casa e socialmente.

Essa mulher, caro leito, acabou causando uma revolução intelectual desta cidade do interior. Muitas das mulheres que participaram do Instituto de Cultura começaram a se interessar pela política, em frequentar uma faculdade, trabalhar fora de casa ou longe da família (coisa que era mal vista na época), e até mesmo influenciou na moda, as mulheres começaram a usar calças.

Ela causou uma revolução interna em cada mulher que passou por ela. Muitas delas hoje são políticas renomada, doutoras universitárias, empresárias de muito sucesso e o mais importante, mulheres donas de si.

A solenidade de tudo isso é que ela nunca deixou de respeitar os laços familiares, nunca deixou de respeitar os homens, a opinião dos outros, nunca deixou de respeitar a dignidade e a feminilidade da mulher.

“O lugar da mulher é ao lado do homem. Nem a frente nem atrás, mas sim ao lado” dizia para mim quando eu era pequena… nunca vou esquecer essa frase e seus inúmeros exemplos de vida.

Sua entidade cresceu e ficou conhecida internacionalmente. Foi recebida por presidentes internacionais, chefes governamentais que as recepcionavam em sessões solenes, pois o Instituto de Cultura é uma instituição de muito orgulho e respeito social. Ela chegou a ganhar vários prêmios devido ao seu trabalho.

Essa mulher líder e atuante, sempre era convidada para fazer parte de novos projetos sociais e fundou também o primeiro Rotary Club misto (homens e mulheres) em sua cidade. O Rotary é uma instituição de serviços sociais que somente aceitava homens como sócios.

Seus trabalhos socioculturais fizeram tanto sucesso que se abriu para toda a sociedade piracicabana, e não era mais direcionado somente para as mulheres.

Muitos a tentarem a derrubar, mas sem êxito, pois ela nunca teve medo. Seu trabalho foi sempre baseado no amor, no respeito e na verdade. Sempre ajudando ao próximo.

Foram mais de 40 anos lutando pela mulher, lutando pela família, lutando pelo amor. Ela morreu trabalhando, levando a alegria para suas amigas e fazendo o que mais gostava neste mundo, que era viver!

Obrigada Sonia Assuf Nechar por ser minha mãe e ter feito a diferença não só na minha vida, mas na vida de muitas mulheres piracicabanas com a fundação do Instituto de Atualização e Cultura, instituição que deixa em sua marca o respeito social da mulher.

Te amo eternamente!

Patrícia Assuf Nechar.

Um pensamento sobre “HOMENAGEM

  1. Esta é uma linda e merecida homenagem a mulher Sonia! Sonia representa com muita justiça a mulher brasileira, a mulher piracicabana. Ela faz muita falta é sempre fará.

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