MERCADO PLUS SIZE EM CRESCIMENTO

Mercado, que anda na contramão da crise, movimenta 200 milhões de reais por ano na capital

Comprar roupas de tamanhos grandes pode ser tarefa difícil. O desconforto começa pelos nomes de alguns comércios especializados, nada sutis: Fofinhas, Porta Larga, e assim por diante. Há quem saia da loja e troque a sacola para não passar vergonha.

Vendedoras sem noção, principalmente as pouco acostumadas a lidar com esse público, também ajudam a piorar a experiência. “Nem adianta provar”, depois de um olhar de cima a baixo no cliente, e “meu GG não é pequeno, você é que precisa emagrecer” são algumas das indelicadezas que a turma dos gordinhos ouve por aí.

Quase sempre, os provadores são apertados e as araras deixam desanimado qualquer um que queira fugir do estilo clássico e dos tons sóbrios. Mas esse cenário vem mudando a passos largos. A moda plus size ganha cada vez mais marcas e eventos de pegada diversificada.

No último ano, o segmento movimentou no varejo cerca de 200 milhões de reais na capital, um aumento de aproximadamente 11% em relação ao ano anterior, um feito e tanto em momentos de crise.

No país, o comércio de vestuário no geral evoluiu apenas 1,3% no mesmo período. “Há demanda maior do que a oferta, por isso essa área se mostra bastante promissora”, afirma o economista Marcelo Prado, diretor do Iemi — Inteligência de Mercado. O movimento desse mercado acompanha o aumento de peso da população.

De acordo com o Ministério da Saúde, 55,3% dos paulistanos maiores de idade se veem acima do peso aconselhável (ou seja, com índice de massa corporal além de 25). Destes, 21,2% estão obesos. Nove anos atrás, essas taxas eram, em média, 10% menores. “A vida nos centros urbanos colabora para uma rotina mais sedentária e uma alimentação menos saudável”, explica Marcio Mancini, endocrinologista e chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas.

Em um momento em que muito se fala sobre empoderamento, modelos GG começam a aparecer cada vez mais em campanhas publicitárias, posando como musas da diversidade. Porém, o assunto ainda avança devagar nesse aspecto. Termos do naipe de “gordo” ainda são tabu.

Dicas para vestir bem estilos normalmente “proibidos” para cheinhas, como babados, transparências e decotes. Até nas escolas de samba, famosas por ostentar corpos malhados, se veem sinais de mudança.

“Reunimos sete integrantes plus size na avenida. Em 2018, queremos catorze”, planeja o coordenador de ala Campitelli Brasil. “Antes, quando uma passista engordava, era cortada no ano seguinte; queremos mudar esse cenário.”

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